No post anterior mostrei parte da problemática por trás do uso das sacolas plásticas em relação ao seu impacto no meio ambiente e talvez parte da criação de uma cultura envolta ao plástico, onde nossos heróis são de plástico, carros são praticamente plástico, roupas com plástico, e que tudo que não possui plástico ainda poderá vir a ter plástico.
A partir desse fato, comprovado e sabido por todos, muitos governos tem adotado medidas até, de certa forma, radicais em relação às sacolas plásticas, como na França onde, especialmente em Paris, as sacolas plásticas foram banidas por lei, e pretende-se expandir essa lei para todo o país. Na Irlanda, que o cliente deve pagar 15 centavos de euro (convertido em projetos ambientais) por sacola usada na compra, o que fez com que o consumo caísse 90%, e quando ameaçou voltar o consumo a taxa aumentou (fonte: Super-Interessante), temos também Zanzibar, que BANIU por completo o uso das sacolas por afetar a vida marinha, principal atividade econômica, e se você for pego com sacos plásticos, você fica pelo menos 6 meses na cadeia ou então toma uma multa de 2000 dólares (Fonte: BBC News). Nessa lista há outros países nas quais as sacolas plásticas foram banidas por lei, mas que somente estes dão um exemplo.
“Segundo o Ibope, 75% da população prefere carregar suas compras em sacolas plásticas. E, de acordo com a SP Trade, 61% das pessoas utilizam a sacola somente “da metade para baixo”, ou seja, não ocupam todo o espaço da embalagem. Esta última constatação vem de um levantamento realizado em 12 empresas de supermercado da cidade de São Paulo, num total de 400 lojas.” (Fonte: Jornal Já)
Isso realmente acontece, os supermercados são um grande exemplo, eles praticamente colocam um item por sacola e te empurram sacolas e mais sacolas de plástico, sacolas estas que com certeza não retornarão aos supermercados, ou porque rasgaram devido sua alta qualidade e expessura ou porque não é prático, e sabemos que as malditas não são de muita utilidade se não aliadas a um outro objeto, que geralmente vai dentro dela, ai junta-se milhares de sacolas em casa devido aquela idéia de que algum dia iremos precisar delas, como realmente um dia precisaremos, e assim elas agora praticamente dominam o mundo, isso sem contar as embalagens também de plástico.
Muitos de vocês, caros leitores, podem rebater os argumentos aqui apresentados com o fato da sacola plástica ser reciclável, mas a questão é que ela é de difícil reciclagem, devido sua espessura, porém existem iniciativas que buscam maneiras de converter o plástico em outros produtos, como o caso da madeira de plástico, da qual a garrafa PET pode fazer parte, o que ajuda com a diminuição do desmatamento por não prover de árvores, como mostra o vídeo abaixo.
Mas e quanto aos sacos plásticos oxibiodegradáveis? Pois é, essa seria uma grande proposta, pois acelera a decomposição do plástico numa velocidade cem vezes maior que o processo natural. O problema esta que ele apenas mascara o real problema, servindo inclusive de precursor para um dano maior ao meio ambiente.
O problema esta nos catalisadores empregados para acelerar o processo de decomposição, composto de metais pesados como o níquel, cobalto e manganês. (Fonte: Jornal da Ciência).
Mas existe ainda o plástico biodegradável. Mas ao invés de explicar de imediato o que é o plástico biodegradável, prefiro mostrar a diferença entre este plástico e o oxibiodegradável. A diferença é que o plástico Oxibiodegradável na verdade, se fragmenta através da oxidação criada pelos novos aditivos químicos adicionados ao plástico, o que não elimina as partículas do plástico em si, permitindo inclusive que esse plástico fragmentado se infiltre no solo e contamine os lençóis freáticos, e outros, juntamente com outros elementos não existentes no plástico comum (esse foi o motivo pela qual a lei que exigia somente o uso desse plástico em São Paulo fosse vetado pelo José Serra), em contrapartida, os biodegradáveis baseiam-se em compostos vegetais como o amido, servindo de alimento para microorganismos no solo que o decompõe. Outro plástico interessante e biodegradável é o plástico PHB (polihidroxibutirato), produzido na excreção da bactéria Burkholderia sacchari ao se alimentar de açúcar (em estudo, fonte: Inova Unicamp). Porém o plástico biodegradável se fragmenta numa velocidade menor que os oxibiodegradaveis, onde apesar de serem mais ecologicamente corretos, sua tecnologia é mais cara.
No Brasil há varias leis em processo de aprovação contra os sacos plásticos, porém aqui o processo é lento, já que há a enorme pressão advinda da indústria do plástico, que não tem o menor interesse na aprovação dessas leis e que por sinal rebate essas campanhas com alguns vídeos de consumo consciente do plástico através da ONG Plastivida (pode ser conferida no youtube), que infere também grandemente na vontade de alguns políticos cujos interesses (R$$) vão além da preservação ambiental, já que “não estarão mais aqui” quando a bomba estourar.
Vou ficando por aqui nesse post, pois perdi minha linha de raciocínio e esqueci o que ia escrever, mas gostaria de saber a opinião de vocês, leitores do blog, sobre esse assunto, até mesmo pra eu saber se há alguma informação que falte. Obrigado
Sacolas plásticas parte II: buscando uma saída
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DG - O Cib3r_Ativist@
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