Por Rafael Pena.O mundo se globalizou de tal maneira que muitos aspectos fugiram do controle. O aumento do poder e do lucro fez com que muitas empresas trabalhassem apenas com o seu lado financeiro esquecendo assim, um dos aspectos mais importantes como: cuidar dos resíduos de sua produção.
Na cidade de Jaú, estado de São Paulo, esse panorama é percebido pelo grande acúmulo de resíduos das empresas calçadistas instaladas na cidade. A cidade conta com mais de 100 fábricas (registradas no Sindicato dos Calçadistas, fora as piratas que são muitas) produtoras de calçados femininos, gerando assim, uma média de produção diária de aproximadamente 1.000 pares de calçados por fábrica (isso é uma média, lembrando que há fabricas que produzem mais de 2000 pares diários como há aquelas que produzem menos de 100). Essas empresas geram uma média de 8 toneladas de dejetos por mês e, infelizmente, existem algumas empresas que descartam esses resíduos em locais totalmente impróprios (na certa pra não ter mais custos) como: praças, ruas desertas e terrenos baldios; acarretando assim um grave problema para o setor de meio ambiente local, devido a liberação dos componentes químicos derivados do tratamento químico do couro feito nos curtumes e que permanecem no produto, no caso: o couro, contaminando o solo e os lençóis freáticos seriamente por, muitas vezes, se tratarem de compostos não degradáveis.
Para garantir um desenvolvimento sustentável e um meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto na Constituição Federal Brasileira, é necessária, além da participação do Poder Público, a participação da sociedade em geral, inclusive do setor privado. Essa participação pode se dar com o comprometimento dos empresários, no sentido de desenvolver uma gestão ambiental com o compromisso de eliminar ou diminuir os impactos ambientais causados por seus dejetos. Esse comprometimento com o meio ambiente é cada vez mais exigido pelos consumidores, mas muitas vezes ignorado ou mascarado pelos fabricantes.
Para tentar atenuar o descarte inadequado dos resíduos do couro advindos dessas indústrias, foram propostas algumas alternativas. As alternativas encontradas foram: usar os rejeitos na confecção de produtos da construção civil (tijolos, concreto, divisórias, placas e painéis – Fonte e + informações: Unesp); confecção de briquetes (Fonte e + informações: InfoEner Usp InfoEner Usp), sua utilização como matéria-prima na confecção de artesanato e ultimamente reciclagem, onde o couro é transformado em liquido e novamente volta a ser couro (fonte e mais informações: Couro.com.br).
Foi necessário mapear a cidade de Jaú para verificar assim onde se localizavam os pontos de acúmulo do resíduo. Através desse mapeamento, foi possível detectar que muitos empresários ainda descumprem a legislação federal. De acordo com a legislação brasileira (Legislação Brasileira do Meio Ambiente, 2005) é de inteira responsabilidade do fabricante o descarte de forma correta dos resíduos provenientes de qualquer tipo de produção ou serviço.
Mas o impacto não esta somente no descarte incorreto do couro pelas indústrias de calçado, mas também no começo de sua produção. Muitos curtumes ainda utilizam metais pesados como o cromo (metal não degradável) no tratamento químico do couro, porém hoje já são encontrados meios alternativos nesse processo, onde os metais pesados são substituídos por componentes alternativos, como os taninos vegetais.
Muitos dirão ainda: usem mais couro sintético! De certa forma, o lado bom desse produto é que muitas vaquinhas terão suas vidas privadas de um assassinato em nome da intensa e crescente insaciedade de consumo da atual sociedade, fora que o processo de reciclagem desse material é mais barato do que a do couro. Mas seu processo de produção esconde um fator importante a ser ressaltado, é feito de PVC, derivado do petróleo, do qual só será pouco mais ecológico se feito de PVC reciclado.
Esses fatos foram fáceis de constatar porque aqui vivemos na capital do calçado feminino, e outras cidades como Franca, Bocaina e outros que lidam com couro, seja no calçado ou de outra forma também pode-se constatar que fatos assim ocorrem com muita freqüência e por tal sua “profilaxia” torna-se mais fácil de se realizar, mas imagino que em cidades onde esse mercado não é o foco principal das indústrias da cidade, ocorram esses desleixos porém são mais difíceis de virem a tona, o que só prejudicará o meio ambiente que, um dia, cairá nas costas dos habitantes nos derredores.
Esse artigo foi baseado na dissertação de Mestrado em Tecnologia Ambiental da Universidade de Ribeirão Preto, sob orientação do Prof. Dr. Murilo Daniel de Mello Innocentini do atual Bacharel em Administração de Empresas, Mestre em Tecnologia Ambiental e Professor das Faculdades Integradas de Jaú, Rafael Pena (ver Currículo Lattes), com inserção de algumas frases, observações e TRÊS parágrafos feitos por mim mesmo, Daniel...ehehehe, mas claro, com autorização prévia do referido autor.
Obrigado Pena pelo artigo, não estava afim mesmo de falar sobre a eleição do Barack Obama Hussein para a presidência dos EUA.
Análise de alternativas para o reaproveitamento dos resíduos de couro das indústrias calçadistas
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DG - O Cib3r_Ativist@
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